A seleção dos Países Baixos chegou à fase eliminatória da Copa do Mundo 2026 com um desempenho defensivo preocupante. Em três partidas, sofreu quatro gols, o que coloca a equipe em uma posição delicada, especialmente se considerarmos que esse é o pior resultado defensivo entre as oito seleções mais bem ranqueadas do torneio. Agora, os holandeses enfrentam o Marrocos, que pode explorar essas fragilidades.
Ronald Koeman, o técnico da equipe, viu seus jogadores terminarem a fase de grupos na liderança do Grupo F, com sete pontos e impressionantes dez gols marcados. Eles conseguiram se recuperar após um empate inicial com o Japão (2 a 2) e mostraram força ao golear a Suécia por 5 a 1, além de vencer a Tunísia por 3 a 1. No entanto, a preocupação permanece na defesa, que ainda não alcançou o nível de solidez esperado de uma seleção tradicionalmente forte na Europa.
O Marrocos, por sua vez, chega à partida confiante. Com uma campanha sólida, eles mostraram que podem incomodar até os melhores, como quando seguraram o Brasil em um empate. Além disso, foram semifinalistas na Copa do Mundo de 2022, o que traz uma bagagem importante para este duelo. O técnico Koeman pode ter dificuldades em manter o controle do jogo, visto que o Marrocos pode impor seu ritmo, tornando o desafio ainda maior.
### Os Números da Defesa
Embora a liderança do grupo indique sucesso, os números defensivos contam uma história diferente. Os Países Baixos sofreram uma média de 1,33 gols por partida, a mais alta entre as seleções mais bem ranqueadas. O jogo contra o Japão foi um alerta, onde a equipe adversária conseguiu marcar dois gols com apenas três chutes no alvo. Mesmo na vitória convincente sobre a Suécia, que perdeu por 5 a 1, a defesa holandesa concedeu oito chutes e duas grandes chances.
A Tunísia, considerada a equipe mais fraca do grupo, também conseguiu furar a defesa dos Países Baixos. Foram quatro finalizações certas e duas grandes oportunidades criadas. Para uma seleção que conta com defensores experientes como Virgil van Dijk e Denzel Dumfries, esse saldo de 36 finalizações e 15 chutes no alvo sofridos em três jogos é motivo de preocupação.
Apesar de dominar a posse de bola, a equipe de Koeman teve problemas nas transições defensivas. Frequentemente, um dos laterais sobe muito, deixando espaço para contra-ataques rápidos. Esses momentos podem não ter custado caro contra adversários como Tunísia e Suécia, mas em um jogo eliminatório, a margem para erro é mínima.
### Marrocos: Oito Armas para Explorar a Defesa
O Marrocos, que terminou a fase de grupos em segundo lugar no Grupo C, é uma seleção que sabe aproveitar as fragilidades do adversário. Com sete pontos, seis gols marcados e apenas três sofridos, eles mostram um bom equilíbrio. O desempenho inclui um empate com o Brasil (1 a 1), uma vitória sobre a Escócia (1 a 0) e um triunfo convincente por 4 a 2 contra o Haiti.
O que torna o Marrocos especialmente perigoso é a velocidade na recuperação de bola. Jogadores como Achraf Hakimi, um dos laterais mais rápidos do futebol, e Ismael Saibari, que tem se destacado como uma importante ameaça ofensiva, são capazes de romper linhas defensivas com suas corridas. A defesa neerlandesa já teve dificuldades com atacantes que sabem explorar espaços, e o Marrocos tem o atletismo necessário para fazer isso.
### A Necessidade de Equilíbrio
Embora a qualidade ofensiva dos Países Baixos seja inegável, a equipe precisa encontrar um equilíbrio. É preciso mais do que apenas marcar mais gols do que o adversário, especialmente em um torneio onde um único erro pode custar a classificação. O Marrocos, que já demonstrou segurança em jogos disputados, pode complicar a vida dos holandeses.
Koeman pode precisar adotar uma abordagem mais cautelosa, oferecendo proteção no meio-campo e impondo disciplina na linha defensiva. Reduzir as perdas de bola em áreas perigosas pode ser tão importante quanto a capacidade de atacar.
Os Países Baixos têm o potencial para fazer uma boa campanha nesta Copa do Mundo, mas a falta de organização defensiva pode transformar uma trajetória promissora em um fim abrupto.