A Alemanha estava animada por voltar a um mata-mata de Copa do Mundo, algo que não acontecia desde 2014. Mas a alegria durou pouco. Na última segunda-feira (29), a seleção tetracampeã foi eliminada pelo Paraguai nos pênaltis, e a sensação de reconstrução parece ter se perdido novamente. Isso reacendeu um debate que já dura mais de dez anos: será que o problema é apenas circunstancial ou é algo mais profundo?
Antes da partida, a pressão sobre o técnico Julian Nagelsmann já era grande, e após essa derrota, essa pressão só tende a aumentar. O revés foi ainda mais impactante por ter ocorrido contra um adversário que cumpriu seu plano taticamente. A Alemanha, mesmo tendo mais posse de bola e dominando territorialmente, não conseguiu transformar esse controle em chances reais de gol.
Expectativas e Realidade na Copa do Mundo 2026
Após a vitória impressionante de 7 a 1 sobre Curaçao na estreia, as esperanças estavam altas. Mas logo vieram os sinais de alerta. A vitória apertada por 2 a 1 contra a Costa do Marfim mostrou as dificuldades da equipe em lidar com adversários bem organizados. A derrota para o Equador expôs problemas defensivos que só aumentaram a pressão sobre Nagelsmann. E, no duelo contra o Paraguai, as dúvidas voltaram à tona.
Falta de Profundidade e Criatividade
Um dos principais problemas da equipe foi a dificuldade em converter sua boa técnica em efetividade em campo. A Alemanha se mostrava confortável com a bola, mas, na hora de atacar, a velocidade e a criatividade eram quase inexistentes. O time parecia previsível, com jogadas lentas e sem a agressividade necessária para desmantelar defesas organizadas. O Paraguai, sob a liderança de Gustavo Alfaro, congestionou o meio-campo e explorou os erros alemães, enquanto a seleção de Nagelsmann continuou com uma circulação de bola monótona e sem surpresa.
Nagelsmann Sob Crítica
Julian Nagelsmann chegou à seleção com grandes expectativas. Reconhecido como um dos treinadores mais promissores, sua missão era modernizar a equipe e recolocá-la entre as melhores do mundo. Embora tenha mostrado sinais de progresso, a Copa do Mundo revelou que ainda há um abismo entre controlar o jogo e vencer partidas decisivas.
A eliminação não pode ser vista como um mero acidente. Ela destaca problemas que já existiam e que agora estão mais evidentes. A Alemanha encontrou enormes dificuldades sempre que se deparou com times que jogam de forma reativa e defensiva. Faltou velocidade, criatividade e a capacidade de transformar a posse de bola em oportunidades claras de gol. Em competições curtas, essas limitações podem custar caro, e custaram novamente.
Reflexões sobre o Futuro
A queda para o Paraguai não apaga o potencial desta geração de jogadores, mas deixa claro que talento por si só não é suficiente. A Copa expôs fragilidades que acompanham a seleção há anos, e que ainda não foram resolvidas. Para um país que sempre teve a regularidade como tradição, essa terceira campanha consecutiva abaixo das expectativas intensifica a sensação de que a reconstrução da equipe ainda está longe de ser concluída. E, após mais uma eliminação decepcionante, Nagelsmann provavelmente será o principal alvo das críticas.