A relação entre Hansi Flick e Deco tem sido fundamental para o planejamento do Barcelona. Desde que o treinador alemão chegou ao clube, há dois anos, eles construíram uma confiança mútua que se reflete em decisões conjuntas sobre o elenco e a estratégia do time. O resultado desse trabalho em equipe já é visível: o presidente Joan Laporta tem dado apoio público ao projeto, e o time conquistou dois títulos consecutivos de LaLiga.
No entanto, a janela de transferências atual trouxe mudanças significativas na dinâmica do departamento de futebol. Enquanto Deco era o principal responsável pelas negociações nas temporadas anteriores, agora Flick está tomando a dianteira na escolha de jogadores que se encaixam em sua visão para o time. Isso representa uma nova fase na forma como as decisões são tomadas dentro do clube.
O jornal “Marca” aponta que as movimentações mais recentes no mercado refletem claramente a influência de Flick. Ele não apenas está sugerindo novos nomes, mas também se envolvendo em áreas estratégicas que antes eram mais dominadas por Deco. Desde que assumiu a direção esportiva, Deco teve que lidar com limitações financeiras severas. A margem para grandes investimentos é pequena, então ele se concentrou em identificar oportunidades e jogadores que possam trazer um bom retorno técnico, sem prejudicar ainda mais as finanças do clube.
Um exemplo disso é a contratação de Dani Olmo, que além de ter passado pela base do Barcelona, é um jogador muito bem visto por Flick. O entrosamento entre eles facilitou a negociação. Na temporada seguinte, Deco trouxe João García para fortalecer o gol, enquanto Marcus Rashford foi considerado uma boa opção de empréstimo. Roony Bardghji, por sua vez, foi uma aposta em um jovem talento que pode se valorizar no futuro. Mesmo com Deco liderando essas negociações, Flick sempre esteve presente, aprovando as escolhas.
Agora, a situação mudou. No atual mercado, Flick não só está fazendo sugestões, mas indicando diretamente os jogadores que ele acredita serem ideais para o seu estilo de jogo. Isso inclui a busca por Anthony Gordon em vez de manter Rashford, além do interesse em Karim Adeyemi, um atacante que Flick conhece bem da seleção alemã. A ideia é ter jogadores que possam se encaixar perfeitamente em um Barcelona mais ágil e agressivo.
Essa nova dinâmica mostra que a influência de Flick está crescendo. Ele não só está sugerindo reforços, mas também ajudou a reformular a preparação física da equipe, trazendo Yann-Benjamin Kugel, um profissional com quem já havia trabalhado na Alemanha. Além disso, ele teve um papel importante ao decidir não avançar em uma negociação por Alessandro Bastoni, priorizando outras necessidades do elenco.
Vale destacar que isso não significa que Deco perdeu prestígio. Na verdade, a relação entre os dois continua ótima, com diálogo aberto e confiança. Após dois anos de trabalho conjunto e conquistas, Flick conseguiu estabelecer uma posição mais forte nas decisões estratégicas do futebol do Barcelona.