A missão dos africanos que pode romper um tabu histórico

A Inglaterra está prestes a enfrentar Gana na Copa do Mundo nesta terça-feira (23), em uma partida que pode garantir sua classificação antecipada para a fase eliminatória. Apesar de ter um histórico bastante favorável contra seleções africanas, os jogadores ganeses, conhecidos como Black Stars, acreditam que podem quebrar esse tabu.

Falando sobre o retrospecto, a última vez que a Inglaterra, sob o comando de Thomas Tuchel, enfrentou uma equipe africana foi em um amistoso no ano passado, onde perdeu para Senegal por 3 a 1. Agora, o clima é bem diferente, já que se trata de uma competição oficial. A Inglaterra começou sua jornada no Grupo L com uma vitória sobre a Croácia, enquanto Gana venceu o Panamá por 1 a 0, com um gol nos últimos momentos da partida.

Historicamente, a Inglaterra nunca perdeu para seleções africanas em Copas do Mundo. Em oito jogos, foram cinco vitórias e três empates. O duelo contra Gana será o oitavo encontro da Inglaterra com uma equipe africana em Mundiais. O primeiro foi em 1986, contra Marrocos, que terminou sem gols, mas ficou marcado pela expulsão de Ray Wilkins no primeiro tempo.

Nos anos seguintes, a Inglaterra continuou sua trajetória sem derrotas. Em 1990, venceu o Egito por 1 a 0 e avançou para as fases eliminatórias. Na Copa de 1994, quase perdeu para Camarões, mas dois gols de pênalti de Gary Lineker garantiram a vitória. Depois disso, teve um triunfo sobre a Tunísia em 1998 e dois empates sem gols em 2002 e 2010, que geraram descontentamento entre os torcedores. Nos últimos torneios, a Inglaterra venceu a Tunísia novamente em 2018 e superou Senegal nas oitavas de final em 2022.

Embora a Inglaterra tenha um bom histórico, apenas duas dessas vitórias foram realmente convincentes. Gana, por sua vez, pode surpreender, mesmo que não tenha começado a competição da melhor forma. O atacante Jordan Ayew, por exemplo, pode ser uma peça fundamental. Ele teve um desempenho defensivo impressionante na última partida, com 69 ações de pressão, a maioria delas no campo adversário.

Se o treinador Tuchel optar pela mesma dupla de zaga que jogou contra a Croácia, Ezri Konsa e John Stones, a intensidade de Ayew pode causar problemas para a defesa inglesa. Além disso, jogadores como Antoine Semenyo, Abdul Fatawu e Kamaldeen Sulemana são rápidos e podem explorar os contra-ataques.

Outro ponto a se considerar é o retorno de Thomas Partey, que não participou da estreia contra o Panamá. Ele traz experiência e força ao meio-campo, sendo essencial para equilibrar a equipe. O desafio principal para Gana será anular as jogadas de Harry Kane e Jude Bellingham. Kane é a principal referência ofensiva e Bellingham tem o talento de ditar o ritmo do jogo.

Nas laterais, Noni Madueke e Anthony Gordon têm potencial, mas precisam melhorar suas atuações para realmente impactar a partida. Focar na defesa de Kane e Bellingham pode abrir espaços, mas essa estratégia envolve riscos. Mesmo assim, é uma aposta que Gana pode ter que considerar para buscar um resultado histórico e conquistar a primeira vitória africana sobre a Inglaterra em Copas do Mundo.

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João Ribeiro