Alemanha busca evitar discussões políticas durante a Copa do Mundo

A frase “futebol e política não se misturam” está sendo bem levada a sério pela seleção alemã na Copa do Mundo de 2026. A equipe quer evitar qualquer discussão que possa trazer à tona as polêmicas relacionadas ao país-sede, os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à recusa em receber o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado o melhor da África.

Essa postura ficou evidente nas palavras do diretor esportivo da Federação Alemã de Futebol (DFB), Rudi Völler, em uma coletiva de imprensa. Ele comentou sobre a situação do árbitro, afirmando que não conhece os motivos da recusa, mas que não se sente à vontade para julgar o que aconteceu. Völler ressaltou que o foco da equipe é apenas o futebol.

Essa decisão de se manter afastada de questões políticas se relaciona com uma polêmica que a seleção enfrentou na última Copa do Mundo, realizada no Catar. Naquela ocasião, a Alemanha se envolveu em um embate com a FIFA. Sete seleções europeias, incluindo a Alemanha, planejavam usar uma braçadeira de capitão com a frase “One Love”, que simboliza a diversidade e a aceitação de diferentes raças, origens, gêneros e orientações sexuais. No entanto, a FIFA proibiu essa faixa, ameaçando punir os jogadores com cartões amarelos.

Para protestar contra essa censura, os jogadores da Alemanha posaram para a foto oficial antes do jogo contra o Japão com as mãos na boca, demonstrando sua insatisfação. Vale lembrar que o Catar, anfitrião da Copa, tem leis que criminalizam pessoas LGBTQIA+.

Após essa experiência, tanto a federação quanto os jogadores mudaram um pouco o tom em relação a se manifestar politicamente. Joshua Kimmich, que assumiu a braçadeira de capitão em 2024, mencionou que a postura da equipe no Catar pode ter prejudicado seu desempenho, já que foram eliminados na fase de grupos. Ele destacou que, como jogador, sente a responsabilidade de defender certos valores, mas não acredita que seja necessário se posicionar politicamente o tempo todo.

Kimmich foi bem claro ao afirmar que não se vê como um especialista em política. Ele reconheceu que a equipe não teve uma boa imagem no torneio e que as manifestações políticas acabaram tirando um pouco da alegria do evento. Em outra entrevista, ele reiterou que, mesmo tendo opiniões pessoais, expressá-las como jogador de futebol — especialmente como capitão de uma seleção campeã do mundo — pode ser complicado.

Ele acredita que simplesmente ter uma opinião não faz de ninguém um especialista no assunto e que a expectativa de que jogadores de futebol possam resolver questões sociais é equivocada.

Agora, a seleção alemã está se preparando para sua estreia no grupo E da Copa do Mundo de 2026, que acontece no próximo domingo (14), contra Curaçao. A expectativa é que a equipe foque no campo e deixe as polêmicas de lado.

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João Ribeiro