Ancelotti aponta lições da Espanha para a seleção brasileira

Pela primeira vez desde que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti apareceu para conversar. O técnico da Seleção Brasileira deu entrevistas a três veículos de imprensa nesta quarta-feira (29) e compartilhou suas reflexões sobre a queda nas oitavas de final para a Noruega. Ele também falou sobre o futuro da equipe sob seu comando.

Ancelotti seguirá à frente da Seleção até o fim do Mundial de 2030. Durante esse tempo, ele tem uma lição importante em mente: a força do meio-campo da Espanha, que foi crucial para a vitória deles sobre a Argentina na última Copa.

A Espanha como exemplo a ser seguido

Ao comentar sobre as dificuldades do Brasil em formar um meio-campo mais cadenciado, Ancelotti destacou a qualidade dos jogadores espanhóis. Ele mencionou que a seleção campeã tinha um meio-campo muito forte, com titulares como Fabián Ruiz, Rodri e Dani Olmo, e ainda contava com reservas de peso como Pedri e Mikel Merino, que foram decisivos em muitos jogos. O técnico ressaltou que a posse de bola foi fundamental para o sucesso da Espanha, que sofreu apenas um gol durante toda a competição.

Ancelotti comentou: “O time que ganhou a Copa do Mundo, a Espanha, teve muita posse de bola. Eles conseguiram controlar os jogos por conta do perfil dos seus meio-campistas. A seleção espanhola conta com sete meio-campistas de alto nível. Isso lhes deu a capacidade de dominar as partidas e garantir a vitória.”

Foco na formação de meio-campistas brasileiros

O técnico foi direto ao abordar a falta de meio-campistas no Brasil. Ele explicou que, na última Copa, apenas seis jogadores foram convocados para essa posição, e isso precisa mudar. Ancelotti sugere um trabalho mais próximo com as categorias de base, como sub-15 e sub-17, para identificar e desenvolver novos talentos. Ele acredita que é essencial ter uma ligação forte com os clubes, pois são eles que realmente formam os jogadores.

O italiano mencionou nomes de jovens que têm potencial, como Andrey Santos, e destacou que muitos outros estão surgindo nas divisões de base e no Campeonato Brasileiro. “Temos que focar mais na formação de meio-campistas”, afirmou.

Mudanças no estilo de jogo dependem de novos talentos

Atualmente, nenhum dos convocados para o meio-campo na última Copa tem o perfil necessário para controlar o jogo e ditar o ritmo das partidas. Todos os jogadores têm um estilo mais vertical e intenso, o que pode ser ótimo em certas situações, mas acaba limitando a estratégia da equipe.

Ancelotti acredita que o Brasil precisa de um meio-campista que consiga ser mais passador e que isso poderia mudar a forma como a Seleção joga. “O estilo é baseado nas características dos jogadores. Se novos talentos aparecerem, podemos sim adotar um jogo de posse”, explicou.

O futuro da Seleção Brasileira com Ancelotti

Após a eliminação, Ancelotti admitiu que a dor ainda é presente e que a Seleção terá novos desafios pela frente. Os primeiros compromissos estão marcados para o fim de setembro, com amistosos contra a Austrália e, possivelmente, outro jogo contra a Índia. Esses encontros serão a oportunidade de ver novos rostos na equipe.

O técnico reconheceu que é hora de fechar ciclos, especialmente para jogadores mais velhos como Neymar e Casemiro. Entretanto, ele reafirmou que Marquinhos deve continuar na equipe. O primeiro grande teste será a Copa América de 2028, que o Brasil não conquista desde 2019. Ancelotti finalizou dizendo que é essencial mapear novos jogadores que possam ser competitivos já nessa próxima competição.

Sobre o Autor

João Ribeiro