Mais de um mês depois de seu último jogo pelo Santos, Neymar finalmente recebeu o sinal verde para voltar a jogar pela seleção brasileira. Ele pode ter algumas oportunidades na partida contra a Escócia, que acontece na quarta-feira (24), encerrando a fase de grupos da Copa do Mundo sob o comando de Carlo Ancelotti. Apesar de não ser titular garantido, o camisa 10 já está treinando normalmente com o grupo e pode ganhar alguns minutos em campo.
Isso levanta uma série de perguntas. A posição de Neymar na equipe, por exemplo, é um mistério. Quem deixaria o campo para ele entrar? E como a dinâmica do time mudaria com a sua presença?
### A função de Neymar na seleção
Quando Ancelotti convocou os jogadores em maio, ficou claro que ele tinha uma ideia bem definida para o time. O técnico trouxe dois pontas tradicionais para cada lado: Vinicius Júnior e Gabriel Martinelli pela esquerda, Luiz Henrique e Rayan pela direita. Essa escolha sugeriu uma clara tendência para um 4-3-3 clássico. Essa formação já tinha sido testada anteriormente, mas acabou sendo substituída por um 4-2-4 mais flexível, com Rodrygo e Estêvão como pilares.
No entanto, sem Rodrygo e Estêvão, o time voltou a se beneficiar do 4-3-3 na partida contra a Croácia, que foi o último jogo antes da convocação. Durante a fase de testes para a Copa, Igor Thiago surpreendeu ao ser escolhido como centroavante na estreia, mas essa estratégia não funcionou bem. A seleção teve dificuldade em criar jogadas e encontrar espaço contra a defesa do Marrocos.
### O 4-3-3 e a adaptação de Neymar
No jogo contra o Haiti, Ancelotti retornou ao que parece ser sua formação ideal: um 4-3-3 com pontas rápidos e Cunha atuando como falso nove. Essa configuração permitiu que o time se movimentasse com mais fluidez, aproveitando os espaços na defesa adversária. E é nesse esquema que Neymar poderia entrar.
Ancelotti já declarou que Neymar atuaria como um “atacante central”. Isso significa que ele competiria pela posição de Cunha, que também já foi ocupada por Igor Thiago e pode ser de Endrick em outras oportunidades. A ideia central de Ancelotti é ter um atacante versátil que possa recuar para ajudar na criação de jogadas e abrir espaço para os pontas, e Neymar se encaixa perfeitamente nesse perfil.
Cunha, por sua vez, também já atuou como meia no esquema 4-3-3, o que significa que ele não necessariamente deixaria de ser titular caso Neymar fosse escalado. É possível que Paquetá perca a vaga, embora haja uma boa conexão entre ele, Neymar e Bruno Guimarães.
### O impacto da presença de Neymar
Analisando a abordagem do time brasileiro contra o Haiti, podemos ver duas interpretações: um 4-3-3 mais tradicional, com Cunha como um falso nove, ou um 4-1-2-1-2, o famoso losango, onde Cunha atuaria como um meia e Vinicius e Raphinha seriam os atacantes. Ambas as visões têm seus méritos, mas o Brasil pareceu mais próximo da primeira opção durante o jogo.
Nesse esquema, Cunha recuava para criar jogadas, confundindo a defesa adversária. Essa movimentação, combinada com as subidas de jogadores como Bruno Guimarães, foi crucial para abrir a defesa haitiana. Neymar poderia desempenhar um papel semelhante, recuando para criar, mas talvez não tenha a mesma energia para voltar e se posicionar na área com frequência como Cunha fez.
Com Neymar no time, o Brasil poderia se inspirar na forma como a Argentina tem jogado: priorizando o jogo pelo meio, utilizando a criatividade do camisa 10 e explorando as vantagens de conexão entre os jogadores.
### Comparação com a Argentina
A Argentina possui um estilo que, embora não jogue exatamente em um losango, adota uma formação 4-4-2 bem compacta. No primeiro jogo da Copa, contra a Argélia, todos os jogadores estavam próximos do meio-campo, favorecendo jogadas curtas e conexões rápidas. A ideia é controlar o jogo com muitos meias habilidosos, permitindo que Messi seja o ponto central do ataque.
Com Neymar, o Brasil poderia adotar uma abordagem semelhante. Com laterais que não sobem tanto, mas que podem dar amplitude, é possível criar um espaço para o meio-campo brilhar. Com Neymar, Paquetá e Bruno Guimarães, o time teria meias que gostam de tabelar e driblar, atraindo marcadores e abrindo espaço para atacantes rápidos como Vinicius e Luiz Henrique aproveitarem a profundidade.
É importante destacar que ter Neymar no time não garante que essa estratégia será seguida. Ancelotti tem várias opções em mente. Ele pode optar por um 4-2-3-1, com Neymar jogando atrás de Cunha ou Igor Thiago, ou até experimentar uma nova versão do 4-2-4.
O que se pode afirmar é que a presença de Neymar oferece ao Brasil a chance de retornar a um jogo mais dinâmico e criativo, com foco nas associações entre os jogadores e na manipulação das defesas adversárias. Será interessante acompanhar qual estratégia Ancelotti escolherá e como Neymar se encaixará nesse quebra-cabeça.