Efeitos climáticos na Copa do Mundo: da expectativa à realidade

A Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona um assunto muito importante: o impacto das altas temperaturas no clima do verão do hemisfério norte. Desde antes do torneio começar, a FIFA já estava de olho nas temperaturas elevadas, especialmente após as críticas recebidas por conta do calor intenso durante o Mundial de Clubes em 2025, que também aconteceu nos Estados Unidos. Naquela ocasião, os jogadores se manifestaram sobre o calor extremo, e especialistas acenderam um alerta sobre os riscos à saúde.

Para garantir a segurança dos atletas, a FIFA implementou algumas medidas durante a Copa. Agora, é obrigatório ter pausas para hidratação em cada tempo de jogo, com intervalos de três minutos, perto do minuto 22 e do 67. Além disso, os bancos de reservas foram climatizados, proporcionando um alívio para jogadores e comissões técnicas. Essa decisão foi tomada após muitos especialistas alertarem sobre o risco de complicações graves de saúde devido ao calor.

O controle da temperatura durante os jogos é feito com base em um indicador chamado temperatura de bulbo úmido e globo (WBGT). Esse parâmetro leva em conta não só a temperatura do ar, mas também fatores como a umidade e a radiação térmica. Para enfrentar o calor, a FIFA ajustou o calendário, mudando os horários de algumas partidas e escolhendo estádios climatizados para os jogos mais quentes.

Surpreendentemente, uma análise da agência “Reuters” revelou que, até o momento, nenhuma das 94 partidas iniciais da Copa atingiu os níveis de calor extremo definidos pela FIFA. Isso se deve, em parte, às pausas obrigatórias para resfriamento e à possibilidade de adiar ou cancelar jogos se necessário. Entretanto, existem diferenças nas recomendações entre a FIFA e o FIFPro, o sindicato dos jogadores. Enquanto a FIFA considera que o risco de calor extremo começa a partir de 32°C, a FIFPro sugere intervenções a partir de 26°C, o que gera um debate interessante sobre a proteção dos atletas.

Dos 94 jogos, 35 registraram temperaturas acima do limite de 26°C, e 27 ultrapassaram 28°C, um ponto de preocupação para a FIFPro. Curiosamente, três dos cinco estádios com as temperaturas mais altas eram climatizados, o que mostra como a tecnologia pode ajudar a mitigar os efeitos do calor. Vale lembrar que a Copa ocorreu em meio a uma onda de calor nos Estados Unidos, com temperaturas extremas se espalhando pelo país.

Um dos jogos mais impactados foi o confronto entre França e Paraguai, realizado no dia 4 de julho, que teve previsão de temperatura de até 38°C e sensação térmica de até 46°C. Esse calor não só afeta os jogadores, mas também pode prejudicar o gramado, elevando as temperaturas da superfície a níveis preocupantes. Em situações de alta umidade, o suor evapora mais lentamente, dificultando a regulação da temperatura corporal e aumentando o risco de exaustão.

Além do calor, as tempestades também trouxeram desafios à Copa. A FIFA possui um protocolo que permite a interrupção das partidas em caso de mau tempo. Se um raio for detectado nas proximidades, a partida deve ser suspensa, independentemente do momento do jogo ou do placar. Em algumas ocasiões, como no jogo entre México e Equador, isso resultou em atrasos significativos, mostrando que a segurança é sempre a prioridade.

Essas medidas e a adaptação ao clima mostram como o futebol pode evoluir e se adaptar às condições do ambiente, sempre visando o bem-estar dos jogadores.

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João Ribeiro