A Uefa anunciou, nesta quinta-feira, que não vai participar de competições organizadas pela Fifa se a entidade seguir com os planos de vender participações da Copa do Mundo para investidores privados. Essa decisão foi tomada em uma reunião virtual com representantes das 55 federações que fazem parte da associação europeia de futebol.
Em um comunicado, a Uefa deixou claro que nenhuma seleção europeia vai participar de eventos da Fifa enquanto essas propostas estiverem em andamento. Eles exigem que a Fifa abandone completamente essa ideia e que sejam dadas garantias de que a governança e as competições não serão abertas à propriedade privada. “A Copa do Mundo não está à venda”, enfatizou a Uefa, ressaltando que o torneio não deve ser tratado como um produto de investimento.
A Uefa já havia demonstrado sua oposição anteriormente, reforçando que a Copa do Mundo é um legado importante do futebol, construído ao longo de gerações por jogadores, seleções e torcedores de todo o mundo. Para eles, a ideia de entregar parte do torneio a investidores privados é inaceitável.
### Os Planos da Fifa
A situação se complicou após a Fifa confirmar que pretende vender uma participação através da criação de uma entidade sem fins lucrativos, que seria responsável por gerenciar eventos como as Copas do Mundo e os Mundiais de Clubes. Essa nova entidade foi chamada de Fifa Forward Enterprises (FFE). Se esse plano for aprovado, investidores externos poderão comprar até 21% da FFE, com a meta de arrecadar impressionantes 4,2 bilhões de dólares. Essa receita, segundo a Fifa, seria imediatamente liberada para as federações membros.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enviou cartas a todas as 211 federações afirmando que elas receberiam 40 milhões de dólares se apoiassem seu plano. Ele estabeleceu um prazo até 19 de setembro para que as federações que concordassem tivessem acesso a um montante inicial de 20 milhões de dólares. Em resposta, a Uefa acusou a Fifa de usar o futebol para se enriquecer e beneficiar apenas um pequeno grupo.
Para que esse plano siga adiante, a aprovação das federações membros e do Conselho da Fifa é essencial. A próxima Copa do Mundo feminina está marcada para junho de 2027, no Brasil, enquanto a masculina acontecerá em 2030, em um trio de países: Espanha, Portugal e Marrocos. Antes disso, haverá competições menores, como a Copa do Mundo Sub-20 na Polônia, que contará com a participação de seleções europeias.
### A Posição de Infantino
Gianni Infantino, que está à frente dessa iniciativa, afirmou que algumas partes do futebol conseguiram transformar a popularidade do esporte em um valor comercial significativo. Ele declarou que a missão da Fifa é garantir o desenvolvimento sustentável e inclusivo do futebol em todo o mundo.
Em um vídeo recente, Infantino descreveu o plano como um “processo democrático” e ressaltou que a Fifa continuará a governar o futebol sem interferências externas. Ele garantiu que o principal torneio da Fifa, a Copa do Mundo, sempre permanecerá sob seu controle.
### Reações ao Redor do Mundo
Os planos da Fifa geraram reações negativas em diversas partes do mundo. O ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, e o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, foram algumas das vozes críticas. A Concacaf, que representa países da América do Norte, Central e Caribe, também criticou a falta de consulta nas propostas. Já a Confederação Asiática expressou descontentamento por não ter a chance de discutir a questão antes de sua divulgação pública.
### Um Novo Candidato à Presidência da Fifa
Embora ainda não tenha se declarado candidato, Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, é visto pela Uefa como uma boa opção para concorrer com Infantino nas próximas eleições da Fifa em março de 2027. Al-Khelaifi ganhou destaque por sua resistência ao projeto da Superliga em 2021, o que o levou a assumir a presidência da Associação de Clubes Europeus. Sua experiência não se limita ao futebol; ele também é presidente do BeIn Media Group, que financia a Fifa.
No entanto, uma fonte próxima a Al-Khelaifi afirmou que ele não tem interesse em assumir esse papel na Fifa, o que mantém a expectativa em aberto sobre o futuro do futebol mundial.