Inglaterra repete erro de 2018 e perde após abrir o placar

A derrota da Inglaterra para a Argentina por 2 a 1 na última quarta-feira (15) trouxe à tona um retrospecto preocupante: foi a sétima vez consecutiva que a seleção inglesa foi eliminada de uma Copa do Mundo por um time entre as dez primeiras do ranking da FIFA. Os Three Lions, que sonhavam em chegar à sua segunda final de Copa, acabaram sendo derrotados pela antiga rival, a Argentina. Mesmo com um início promissor e um gol de Anthony Gordon aos 55 minutos, a Inglaterra não conseguiu segurar a vantagem e viu os argentinos dominarem a partida.

Este jogo foi especial porque a Argentina foi o primeiro adversário ranqueado no top 10 que a Inglaterra enfrentou nesta Copa. Nas quartas de final, a Noruega, por exemplo, estava em 31º lugar. Desde 1998, a história se repete: todas as vezes que a Inglaterra encontrou seleções do top 10 em fases eliminatórias, acabou voltando para casa. É uma estatística que pesa sobre uma seleção com tanta tradição no futebol.

Histórico de Eliminações da Inglaterra em Copas do Mundo

Desde 1998, a Inglaterra passou por várias eliminações em Copas do Mundo, sempre em momentos críticos. Aqui está um resumo:

  • 1998: Oitavas de final – Argentina 2 x 2 Inglaterra (Argentina vence nos pênaltis, 4 a 3)
  • 2002: Quartas de final – Inglaterra 1 x 2 Brasil
  • 2006: Quartas de final – Inglaterra 0 x 0 Portugal (Portugal vence nos pênaltis, 3 a 1)
  • 2010: Oitavas de final – Alemanha 4 x 1 Inglaterra
  • 2014: Fase de grupos – apenas um ponto em três jogos
  • 2018: Semifinal – Croácia 2 x 1 Inglaterra (prorrogação)
  • 2022: Quartas de final – Inglaterra 1 x 2 França
  • 2026: Semifinal – Inglaterra 1 x 2 Argentina

O Desastre Tático de Tuchel

O técnico Thomas Tuchel enfrentou críticas após a partida. Desde o início do século, apenas duas seleções que abriram o placar em semifinais de Copa do Mundo não conseguiram avançar: a Inglaterra contra a Croácia em 2018 e agora novamente contra a Argentina. Após marcar, a equipe inglesa passou a ter apenas 12% de posse de bola entre os 55 e 92 minutos do jogo. Ao invés de aproveitar a vantagem, Tuchel optou por defender a liderança, fazendo substituições que limitaram as opções ofensivas.

A decisão de “fechar o time” gerou questionamentos, especialmente porque a Inglaterra estava jogando bem antes de marcar. O técnico levou um grupo defensivo para a América do Norte, deixando de fora talentos que poderiam ter feito a diferença.

Mesmas Armadilhas do Passado?

As semelhanças entre Tuchel e seu antecessor, Gareth Southgate, são notáveis. Ambos chegaram à mesma fase do torneio, mas a expectativa era que Tuchel trouxesse um novo espírito após anos de frustração. A Inglaterra estava em busca de acabar com uma seca de troféus internacionais que já dura 60 anos. Sob Southgate, o time chegou perto de conquistar a Eurocopa em 2020 e 2024, e também às semifinais da Copa de 2018.

Ao escolher Tuchel, a Federação Inglesa apostava em um treinador conhecido por seu sucesso em competições eliminatórias. No entanto, ele acabou repetindo os erros do passado, com desempenhos sólidos contra adversários menores, mas falhando quando o desafio aumentava.

Dependência de Estrelas

Durante a Copa, a Inglaterra se apoiou fortemente em Jude Bellingham e Harry Kane, que juntos marcaram 12 dos 14 gols da seleção. Contudo, na semifinal, a Argentina neutralizou os dois jogadores, que não tiveram a chance de brilhar. Bellingham, em particular, foi marcado de perto e não conseguiu se impor em campo. Kane, embora tenha participado da jogada do gol, teve uma atuação discreta, com apenas uma finalização durante todo o jogo.

Essa dependência de momentos brilhantes de Bellingham e Kane revelou-se uma estratégia insustentável. Quando a pressão aumentou, a seleção não conseguiu responder. Apesar do histórico vitorioso de Tuchel, muitos torcedores podem começar a questionar sua permanência no cargo, especialmente após uma eliminação tão dolorosa.

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João Ribeiro