Matheus Cunha e a camisa 9: estigmas e desafios no Brasil

Matheus Cunha foi escolhido para ser o camisa 9 da seleção brasileira na Copa do Mundo, segundo a CBF. Mas o que isso significa na prática? É interessante notar que, enquanto o número carrega um peso histórico, a forma como o jogador atua pode surpreender muita gente.

Cunha já desempenhou a função de centroavante em sua carreira, mas ele não se encaixa no estereótipo clássico desse papel. Atualmente no Manchester United, onde usa a camisa 10, ele se destaca mais como um criador de jogadas do que como um típico goleador. No Wolverhampton, por exemplo, ele era um ponta-esquerda que se transformou em meia-atacante, contribuindo tanto com gols quanto com assistências. Em seu tempo no Hertha Berlin, mesmo jogando como centroavante, sua principal função sempre foi a de criar jogadas.

Na Bundesliga, Cunha teve um desempenho notável, marcando sete gols e fornecendo quatro assistências em uma temporada. Ele sempre se destacou por sua habilidade de criar oportunidades, o que, às vezes, não é reconhecido na posição que ocupa. Durante sua passagem pelo Atlético de Madrid, a falta de uma estratégia que se adequasse ao seu estilo dificultou um desempenho ainda melhor, mas ele ainda conseguiu participar de 10 gols em apenas oito jogos como titular.

Ao chegar à Premier League, Cunha se adaptou bem ao novo estilo de jogo. Mesmo jogando como ponta-esquerda, ele tinha liberdade para se movimentar em direção ao centro, o que acabou resultando em uma temporada cheia de gols e assistências. Ele se tornou uma peça chave na equipe, mostrando que, mesmo sem ser um centroavante tradicional, ainda pode ser decisivo.

### A Função de Matheus Cunha na Seleção

Quando falamos sobre o papel de Cunha na seleção, é importante esclarecer que ele não é aquele centroavante que fica fixo na área esperando cruzamentos. No esquema que Carlo Ancelotti implementou, Cunha atuou muitas vezes como um falso nove, descendo para o meio e ajudando a construir jogadas, enquanto Vinícius Júnior se aventurava mais em direção à defesa adversária.

Essa dinâmica trazia um equilíbrio interessante ao ataque brasileiro. Contudo, com mudanças na escalação e no estilo de jogo, como no caso do 4-3-3 que Ancelotti testou, Cunha também teve a chance de atuar como um meia, se aproximando mais da área e criando oportunidades. Essa flexibilidade é uma das suas maiores qualidades e pode beneficiar a seleção.

### A Preocupação com a Camisa 9

Entretanto, a escolha de Cunha para a camisa 9 pode gerar algumas expectativas desajustadas. Ele pode enfrentar um desafio semelhante ao que Gabriel Jesus viveu na Copa de 2018, onde a pressão de ser um centroavante resultou em uma performance abaixo do esperado. A torcida pode se sentir frustrada ao ver um atacante recuando para defender em vez de se posicionar para finalizar.

No esquema defensivo, Cunha pode acabar cobrindo o lado esquerdo, o que é importante, mas pode também afastá-lo das oportunidades de gols, algo que os torcedores esperam de um camisa 9. Essa é uma questão delicada, pois a identidade do número 9 é muitas vezes associada a gols e presença na área, e isso pode levar a uma percepção equivocada sobre o que ele realmente representa em campo.

Em resumo, Matheus Cunha traz uma abordagem diferente para a camisa 9 da seleção, e sua versatilidade pode ser tanto uma vantagem quanto uma fonte de expectativa. O importante é que os torcedores entendam que ele é um jogador com características únicas, pronto para contribuir de várias maneiras no campo.

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João Ribeiro